O que o Papa Francisco deseja para os jovens brasileiros?

Por: Gregory MacedoEm: Notícias


Confira o relato de Dom Amilton Manoel, bispo-auxiliar de Curitiba e integrante da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude CNBB, sobre o encontro com o Papa Francisco.

* Relato publicado por jovensconectados.org.br

Os bispos do Paraná estiveram de 17 a 27 de fevereiro em Roma, para a Visita Ad Limina Apostolorum – uma visita dos Bispos diocesanos aos túmulos dos Apóstolos, na Diocese de Roma, feita com periodicidade quinquenal. O ponto alto da visita foi o encontro com o Papa Francisco, no dia 24. Confira o relato de Dom Amilton Manoel sobre a pergunta que ele realizou ao Papa sobre o tema da Juventude:


A conversa com o Santo Padre foi informal e fraterna, ele nos deixou à vontade para fazer perguntas e respondeu com clareza, profundidade e alegria, muitas vezes com uma pitada de humor.

A minha pergunta ao Papa foi: “Santo Padre, o senhor tem insistido numa Igreja jovem, porque Deus é jovem… Creio que que esta afirmação venha da juventude, que no momento atual, na sua maioria, está fora das nossas Igrejas e muitas vezes se mostra apática e sem sentido de viver… Embora o senhor já nos falou por ocasião do Sínodo da Juventude e no Christus Vivit, como evangelizar a juventude neste contexto?

A reposta do Papa durou cerca de 17 minutos e como não pode ser gravada, faço apenas um recorte de suas palavras:

Papa Francisco: “A Igreja jovem é a Igreja em movimento, que se deixa conduzir pelo Espírito Santo, assim como o jovem é inquieto na busca da novidade e quando se fecha, perde-se ou se prende nas seguranças próprias, a Igreja, conduzida pelo Espírito deve abrir-se às suas inspirações, para caminhar firme e dar respostas em cada tempo. Também deve ser “desornada”, como o jovem, que não mantém as suas coisas “certinhas” no lugar… assim é o seu quarto, seu jeito de viver… Desornada, não desorganizada! A Igreja sabe por onde caminhar, porém precisa deixar que a novidade e as surpresas de Deus aconteçam… Se ela se fecha, sua autoreferencialidade em nada contribuirá para a humanidade.

O trabalho com os jovens é gradual, com proximidade, escuta, paciência… Nunca dizer no início: ‘Isto é pecado! Você está errado! Aproximação sem julgamentos! Às vezes o pecado e o erro são grandes, mas se você disser ao se aproximar, criará uma barreira intransponível. A conversão virá depois ou se dará no processo… A evangelização do jovem passa por 3 estágios: Mente, coração e mãos. O jovem muitas vezes, tem a ideia, deseja isso e aquilo, mas ainda é razão…. O que ele busca precisa passar pelo coração, ouvir os sentimentos, vencer os medos, discernir se é correto, se é de Deus…. Depois as mãos, agir! O jovem é solidário, gosta de ajudar (neste momento, o Papa citou o exemplo de quando era padre, na Argentina, e levava o grupo de jovens para visitar os enfermos, os idosos…) e continuou:“O jovem é sensível ao sofrimento, por isso não é difícil levá-lo ao compromisso com o outro, com a ecologia… Mente, coração e mãos, sem essa metodologia não se evangeliza o jovem!”

Para mim, que foi a primeira visita Ad Limina, não tenho palavras para descrever essa experiência.

GRATIDÃO! É o sentimento que vigora.

Dom Amilton Manoel da Silva, CP
Pastoral Juvenil – CNBB